Mudança a caminho?

No dia 17 de junho passado, completam-se quatro anos que o Supremo Tribunal Federal derrubou a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Foram 8 votos a 1 que mudou a forma como os profissionais de jornalismo passaram a ser observados e, em certa medida, passaram a se perceber. 

Se todo mundo fala, eu também posso

Tem o vídeo com o depoimento de Paula Landucci, publicado no dia 15 de junho, 2 dias antes das maiores manifestações (bom que se frise) que ataca a quem está "contra" ou não apoia entusiasticamente à movimentação do dia 17 de junho.

Câmara rejeita criação de duas novas secretarias


Projeto do Executivo propunha a criação de 14 cargos e extinção de um

Por 5 votos contra e 4 a favor, o Projeto de Lei Complementar 561, do Executivo, foi rejeitado na última terça-feira, 18, durante a 3ª sessão extraordinária da 12ª Legislatura. Votaram pela criação de duas secretarias os vereadores Adalberto Joventino da Silva (PSDC), Jorge Mello (PR), Maria Paranhos (DEM) e Rogério Borges (PPL). 

28 partidos, escolha o seu


Mudança de verdade acontece mediante organização e respeito à Constituição


Toda movimentação no País, neste momento, reivindica coerentemente que não quer cor partidária. Contudo, as mudanças que pretendem passarão, OBRIGATORIAMENTE, sob o crivo de homens e mulheres membros de partidos que foram eleitos pelo voto. Infelizmente, por uma conta esquisita, aos olhos da maioria injusta, mas é o sistema vigente.

Perguntas para as massas

Os protestos que marcaram a segunda quinzena de junho são justos? As pautas são coerentes? Algumas nem tanto, mas a maioria são equilibradas. Contudo, o Brasil só vai mudar, quando o seu povo mudar. E isso, não começa em Brasília.

Ceticismo aprofundado



"O Brasil acordou", afirmam os entusiastas ou apoiadores integrais da nova moda brasileira: o protesto. Será? Não acredito em "despertamento" pautado na ignorância, falta de conhecimento sobre um fato, ou mesmo na negligência, saber sobre as implicações de uma ação ou discurso e, mesmo assim, sustentá-lo.

Por isso, meu ceticismo quanto aos frutos de toda esta onda de gente com o "#vemprarua" estampado em cartazes, assinando postagens em redes sociais e tudo o mais, só aumenta. Qual a necessidade de agredir os integrantes de quaisquer partidos que queiram, pacificamente, atender ao chamado?

Os militares também não gostavam do pluripartidarismo e, com o pensamento miserável, decidiram editar o Ato Institucional nº 2 (AI-2) em 27 de outubro de 1965. No artigo 18 do monstrengo jurídico, lê-se: "Ficam extintos os atuais Partidos Políticos e cancelados os respectivos registros."

Odeio as ideias marxistas endossadas por partidos como PCdoB, PT, PSOL e afins. No entanto, tenho o dever cívico de respeitar a formação das legendas e ponderar seus pontos de vista. Concordar com ideias pífias de que eles não podem se expressar, seja lá em que tipo de ajuntamento for, é coisa de ignorante, boçal, tolo, oco, anti-democrático. Não pactuar de um pensamento não significa que devo impedir sua expressão.

Não querer a liderança de líderes partidários para evitar desvios das intenções que, francamente, começaram turvas e estão cada vez mais embotadas, é compreensível. Agora, a intolerância com a simples presença dos mesmos não é prática aceitável.


Os partidos políticos estão resguardados pela Lei. Ou a Constituição Federal também não vale mais nada para quem está protestando? As reivindicações que são ouvidas nas palavras de ordem puxadas ao som de megafones ou escritas nos cartazes são direitos previstos nela: saúde, educação, moradia etc. 


Ainda estamos aquém da plenitude do que ela preconiza? Infelizmente. Contudo, a conquista desses direitos não será possível de fato pela negação da lei vigente. Implodir um sistema para construir sobre escombros não é plano inteligente. Construir ou reformar, é plano mais salutar do que querer destruí-lo.


Para concluir, reproduzo trecho do discurso de Ulysses Guimarães (1916 - 1992) no qual, em 5 de outubro de 1988, no ato de promulgação da Constituição Federal ele afirmou: "A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa, ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria."

Feliz por ser minoria

No meio de toda balbúrdia dos protestos, estou felicíssimo e sereno por não fazer parte da maioria eufórica que vê em tudo isso o despertar de um gigante, a moralização do povo, a faxina ampla geral e irrestrita da corrupção, etc etc etc. Tomara que eu e mais alguns estejamos errados e, no final, de fato, alguma coisa que preste fique como saldo disso tudo.

Espero, sinceramente, que na busca por direitos, não se risque da agenda o cumprimento de deveres. Entre eles, estar sujeito à Lei. Se for para mudá-la que se cumpra os caminhos já estabelecidos para tal. Inclusive consultando a maioria sobre a opinião popular.

No dia 24 de junho, ocorreu um manifesto com a apresentação de diversas pautas a exemplo de outras cidades da região e do país. Pelo empenho dos que se mobilizaram na divulgação, pela articulação com Guarda Municipal, polícias Militar e Civil; pelas mensagens de orientação com dicas de como agir em caso de início de vandalismo (sentar no chão, para os agentes de segurança identificarem os meliantes); pelas mensagens postadas de não à violência.

Reuniram-se cerca de 2 mil pessoas, segundo a PM, e 3 mil para os articuladores. Com reivindicações sensatas, registradas de modo cívico e ordeiro. Reclamando sem ofender. Reivindicando avanço sociais, sem retroceder na postura democrática. 

Infelizmente, após 19h40 aproximadamente, quando os organizadores entenderam que a concentração que havia começado às 17h30, mesmo com chuva e frio, podia ser dispersada, alguns vândalos entraram em ação. Machucaram a cabeça de um PM e o joelho de uma GM. Quebraram vidros da Prefeitura e de alguns comércios ao longo da avenida Adherbal da Costa Moreira.

Males intoleráveis, mas presentes neste tipo de ajuntamento. Contudo, quando a onda da rua passar (e vai passar), outros protestos vão ocorrer sob o olhar atento de quem vai continuar se manifestando nos conselhos municipais, nos partidos políticos, nas audiências públicas, nas sessões ordinárias das Câmaras, nas conferências municipais, nas associações de moradores, nas APM's das escolas, enfim, em todo agrupamento que pode decidir ou opinar sobre questões da vida pública.

 
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